Salinity and water temperature assessment of the tidal marshes from the W Portuguese coast, as an ecological tool to palaeoenvironmental reconstructions based on Foraminifera and Ostracoda assemblages

Francisco Fatela, João Moreno, M. Cristina Cabral

Resumo


A seasonal study of temperature and salinity of estuarine and sediment interstitial water of tidal marshes was undertaken along three estuaries of W Portuguese coast (Minho, Tejo and Mira).The climatic N-S transition from wet Atlantic to Mediterranean features appear clearly imprinted in the distribution of tidal marsh assemblages, like foraminifera and ostracoda, mainly reflecting the water salinity gradient control.The Minho low estuary tidal marsh tends to be flooded by estuarine water ranging from 0.5‰ to 32‰ in each tide cycle, even during dry seasons. However, the marsh hydrological balance sustains a more stable environment where the salinity of interstitial water measurements yielded 8‰ to 16‰. In contrast the Tejo and Mira salt marsh flooding waters record a narrow range between 33‰ and 36‰, in spring, and between 29‰ and 36‰ in autumn. The climatic control of evaporation/ precipitation balance produces an enhanced salinity of marsh interstitial water, that can reach hypersaline conditions, with maximum records of 53‰ in Tejo and 48‰ in Mira lower estuaries.These environmental differences along the W Portuguese coast are recorded by the tidal marsh assemblages, namely foraminifera and ostracoda. In the low salinity Caminha salt marsh, living foraminifera are essentially composed by the agglutinated species Haplophragmoides manilaensis, Miliammina fusca, Pseudothurammina limnetis Psammosphaera sp. and Trochamminita salsa. The modern ostracoda assemblage includes Leptochytere baltica, Leptochytere psammophila, Leptocythere sp. A and Tuberoloxoconcha sp.1. In the Tejo and Mira salt marsh Ammonia beccarii, Ammonia tepida, Haynesina germanica, Jadammina macrescens, Trochammina inflata, are the dominant foraminifera and Loxoconcha malcomsoni, Terrestricythere cf. elisabethae, Tuberoloxoconcha cf. atlantica and Xestoleberis labiata prevail as well as many other more marine ostracoda species, such as Basslerites teres and Leptocythere fabaeformis.This study highlights that the knowledge of driven ecological parameters of modern assemblages (usually preserved in fossil record), is fundamental to support reliable paleoclimatic and palaeoenvironmental reconstructions.

Keywords: salinity, tidal marshes, foraminifera, ostracoda, Portuguese W coast

 

Avaliação da salinidade e da temperatura da água nos sapais da costa Oeste de Portugal, na perspectiva da reconstrução paleoambiental com base na ecologia de Foraminíferos e Ostracodos

O registo sazonal da temperatura e da salinidade da água dos estuários e da água intersticial dos sedimentos de sapal nos rios Minho, Tejo e Mira, durante a enchente, integram o estudo das associações de foraminíferos e ostracodos actuais da costa Oeste de Portugal. Nestes trabalhos podemos observar a transição entre o padrão climático húmido do NO da Península Ibérica e o padrão mediterrâneo a SO.O sapal do baixo estuário do rio Minho tende a ser inundado por águas com grande amplitude de salinidade, de 0.5‰ a 32‰ em cada ciclo de maré, que persiste mesmo nas estações mais secas. No entanto o balanço hidrológico do sapal contribui para um ambiente relativamente estável, onde os valores da salinidade da água intersticial variam entre 8‰ e 16‰.No baixo estuário do rio Mira, a salinidade das águas que inundam os sapais durante a preia mar varia apenas entre 33‰ e 36‰, na Primavera, e entre 29‰ e 36‰ no Outono. O balanço da evaporação/ precipitação no contexto climático do Sul, produz um aumento da salinidade da água intersticial até à hipersalinidade, que atinge 53‰ nos sapais do Tejo e 48‰ nos do Mira.Estas diferenças das condições ambientais ao longo da costa Oeste de Portugal estão reflectidas na composição das associações dos organismos de sapal, nomeadamente dos foraminíferos e dos ostracodos. Sob as condições de baixa salinidade registadas no sapal de Caminha, a biocenose de foraminíferos é composta essencialmente pelas espécies de carapaça aglutinada Haplophragmoides manilaensis, Miliammina fusca, Pseudothurammina limnetis Psammosphaera sp. e Trochamminita salsa. A associação dos ostracodos actuais inclui as espécies Leptochytere baltica, Leptocythere psammophila, Leptocythere sp. A e Tuberoloxoconcha sp. 1. Nos sapais do Tejo e do Mira as espécies Ammonia beccarii, A. tepida, Haynesina germanica, Jadammina macrescens, Trochammina inflata, dominam a associação de foraminíferos, enquanto Loxoconcha malcomsoni, Terrestricythere cf. elisabethae, Tuberoloxoconcha cf. atlantica e Xestoleberis labiata se destacam numa associação de ostracodos com diversidade de espécies de características mais marinhas, como Basslerites teres e Leptocythere fabaeformis.A relação encontrada entre a salinidade e a composição das associações de foraminíferos e ostracodos, mostra que a caracterização dos factores ecológicos e das biocenoses (dos grupos que integram o registo fóssil) em análogos actuais, são determinantes para a reconstituição fiável da evolução paleoclimática e paleoambiental.

Palavras-Chave: salinidade, sapais, foraminíferos, ostracodos, Costa Oeste de Portugal


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