Os oleiros e a gestão da lenha nas cozeduras redutoras: aproximações etnoarqueológicas em Portugal
Abstract
Na Europa, o abastecimento em lenha que os oleiros utilizam nos fornos de cozedura redutora medieval é mal conhecido. Com efeito, os dados antracológicos são escassos e os textos a esse respeito são muitas das vezes silenciosos. Impõe-se por isso uma abordagem etnoarqueológica, para compreender melhor esta actividade. Uma missão em Portugal, entre 2005 e 2007 teve como objectivo, observar os últimos oleiros artesanais cozendo a sua cerâmica em atmosfera redutora, como na Idade Média. Os inquéritos orais e as observações das cozeduras foram sistematicamente registadas e filmadas. Os dados obtidos completam as observações arqueológicas. Dez ou vinte dias antes da cozedura, os oleiros e seus familiares cortam a lenha com a ajuda de instrumentos agrícolas de uso quotidiano. Não foi observado nenhum corte de lenha em particular. É recolhida lenha de pequena dimensão e calibre (<2cm) e não ramos ou troncos, visto que o oleiro deseja um rápido aumento da temperatura nos fornos, antes do seu encerramento. A gestão da lenha e do fogo durante a cozedura, levam a manter as matas limpas. Pela primeira vez, foi dada atenção à observação dos elementos imateriais. O resultado mais importante da pesquisa e que deve ser sublinhado, centrou-se na adaptabilidade dos gestos e na variabilidade das práticas do saber-fazer.
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