A relutância das populações rurais às influências orientalizantes do 1º milénio a.C.: Evidências zooarqueológicas na margem direita do médio Guadiana, Portugal

  • Mariana Nabais University College London, Institute of Archaeology, 31-34 Gordon Square WC1H 0PY London, United Kingdom
  • Claudia Costa Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, ICArEHB - Interdisciplinary Centre for Archaeology and Evolution of Human Beha-viour, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal
  • Rui Mataloto Município do Redondo, Praça da República, 7170 Redondo, Portugal,
  • Manuel Calado CIEBA - Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal
Keywords: Zooarqueologia, Bronze Final, Idade do Ferro, Rio Guadiana, Portugal

Abstract

As intervenções arqueológicas em várias ocupações rurais datadas do 1º milénio a.C. na margem direita do curso médio do rio Guadiana, em Portugal, levadas a cabo no âmbito do plano de salvaguarda da Barragem de Alqueva, permitiram a recolha de cinco conjuntos zooarqueológicos provenientes da Rocha do Vigio 2, Espinhaço de Cão 1, Monte dos Musgos 10, Malhada dos Gagos 13 e Malhada das Mimosas 2. O estudo arqueofaunístico demonstrou uma marcada dependência dos animais domésticos, como o gado bovino e ovino/caprino. A actividade cinegética está presente no Bronze Final, mas mal documentada nos momentos mais antigos da Idade do Ferro, para de novo emergir no final do 1º milénio a.C. Ainda que os vestígios marinhos estejam ausentes dos conjuntos estudados, estes deveriam ser conhecidos e utilizados pela população que, no início da Idade Ferro, parece manter contactos com o litoral, como indicado pela presença de moluscos e peixes marinhos em alguns dos sítios, como no Castro da Azougada. Os conjuntos faunísticos estudados inserem-se num modelo económico rural de subsistência e de gestão animal característico dos momentos anteriores aos contactos orientalizantes e que parecem perdurar até ao dealbar da romanização.

The reluctance of rural populations to foreign influences in the 1st millennium B.C.: Zooarchaeological evidences from the right side of the middle-course of the river Guadiana, Portugal
Rescue archaeological works conducted in several rural sites dated from the 1st millennium BC in the right bank of the middle-course of river Guadiana, Portugal, motivated by the construction of the Alqueva Dam, allowed the recovery of five zooarchaeological assemblages from Rocha do Vigio 2, Espinhaço de Cão 1, Monte dos Musgos 10, Malhada dos Gagos 13 and Malhada das Mimosas 2. The zooarchaeological study of such assemblages showed a strong dependence on domestic animals, such as cattle and ovicaprines. Hunting practices were identified in the Late Bronze Age, but they were rarely recognised in the Early Iron Age. However, hunting becomes more frequent by the end of the 1st millennium BC. Despite the absence of marine resources within the studied faunal assemblages, they should have been known and used, considering that contacts with the littoral were kept since the Early Iron Age, as shown by the presence of marine molluscs and marine fishes in sites such as Castro da Azougada. The zooarchaeological assemblages here presented are part of an economic model of rural subsistence and animal management that are typical of the moments prior to oriental influence, and that seem to last until the beginning of Romanization.

Published
2018-11-26
How to Cite
Nabais, M., Costa, C., Mataloto, R., & Calado, M. (2018). A relutância das populações rurais às influências orientalizantes do 1º milénio a.C.: Evidências zooarqueológicas na margem direita do médio Guadiana, Portugal. Estudos Do Quaternário / Quaternary Studies | Online ISSN: 2182-8660 | Print ISSN: 0874-0801, (18), 53-65. https://doi.org/10.30893/eq.v0i18.170
Section
Articles